desfaço os sinais dos inventores de mentiras, e enlouqueço os adivinhos

Exames 2009: como se prepara o "sucesso" fácil | 01Jul2009 13:50:00

Exames 2009: como se prepara o "sucesso" fácil

  O que já vimos após a primeira semana de exames é elucidativo: o facilitismo tornou-se a norma num Ministério da Educação à deriva.

  Tem sido uma constante da semana que passou: alunos ansiosos antes de entrarem para a sala onde vão fazer exame de 9º, 11º ou 12ºano, alunos quase eufóricos à saída. A palavra mais ouvida era invariavelmente: "Foi fácil." Ou então: "Mais fácil do que esperava."

  Passando os olhos pelas avaliações críticas realizadas pelas associações de professores e, em especial, pelas sociedades científicas das diferentes áreas, a regra também não variou muito. "Acessível." "De acordo com os programas." "Pouco exigente." Ou até "fácil de mais".

  Alguns exemplos, fáceis de entender.
  No exame de Português de 12ºano, para alunos que vão entrar no ensino superior, entendeu-se necessário colocar um apêndice com "vocabulário", não fosse a rapaziada desconhecer o sentido de palavras como "ébano", "saciado", "temor", "carregadores", "fardos", "grilhetas" ou "sumiu-se". É de ficar estarrecido: recordo-me de, ainda na instrução primária, numa prova de ditado, me terem ensinado o significado de "cerro", que nunca mais esqueci. Estou a falar de instrução primária, que era obrigatória quando estudei. Mais: o vocabulário destinava-se a que os alunos pudessem interpretar uma passagem do conto de Sophia de Mello Breyner Andresen Os Três Reis do Oriente, uma obra que o site online da Bertrand recomenda para leitores de 6 a 10 anos...


  No exame de Matemática Aplicada às Ciências Sociais pede-se para verificar se nas eleições para uma junta de freguesia dois métodos de distribuição de mandatos diferentes (o método d'Hondt e o método de Hamilton) chegam ou não ao mesmo resultado. Para o caso de os estudantes não se recordarem como funciona o método d'Hondt, ligeiramente mais complexo que o de Hamilton, num anexo à prova recorda-se-lhes esse mecanismo.


  No exame de Física e Química A, duas questões podiam ser respondidas por quem nunca tivesse estudado Química. Por exemplo: dava-se a ler um texto onde se escrevia que "cada elemento químico possui, de facto, o seu próprio padrão de riscas espectrais, que funciona como uma impressão digital" e que "fazendo a análise espectral da luz que nos chega das estrelas, captada pelos telescópios, é possível determinar as suas composições químicas"; a seguir pedia-se para descrever "como é possível tirar conclusões sobre a composição química das estrelas, a partir dos seus espectros, tendo em conta a informação dada no texto".


  É caso para dizer: ainda a procissão vai no adro, mas pela amostra prevê-se que este ano o sucesso escolar esteja garantido. As médias vão subir, o ministério vai dizer que os seus programas de recuperação funcionaram e acrescentar que, apesar da perturbação causada nas escolas pelo sistema de avaliação de professores, tudo correu bem e os meninos continuaram a aprender muito e bem.


  Isto é trágico. Conseguir melhorar os índices de sucesso escolar descendo o nível de exigência das provas de exame - que já era dos mais baixos da Europa - cria a oportunidade para excelentes acções de propaganda em ano eleitoral, mas tem duas consequências fatais.


  A primeira é que ao baixar o nível de exigência cria-se a ilusão de que estamos a formar alunos mais bem preparados, quando é o inverso o que está a suceder. Basta conversar com professores que dêem aulas nos primeiros anos do ensino superior para comprovar como sentem que recebem estudantes cada vez mais mal preparados. Num mundo em que a diferença se faz pela qualificação e pelo conhecimento, por este caminho estamos a escavar a cova onde seremos enterrados. Alegremente.


  A segunda é que este mecanismo tem ainda o efeito perverso de agravar as desigualdades sociais. Os pais mais conscientes e que podem procurar escolas (públicas ou privadas) de melhor qualidade, ao aperceberem- se do que está a acontecer, exigem dos professores que preparem melhor os seus filhos - não apenas para passarem no exame, mas para estarem preparados para os exames da vida real. Os outros ficam apenas contentes. Pelo meio há, naturalmente, alunos de talento que ultrapassam todos estes facilitismos - e aqui a origem social já conta muito menos - e são e serão bons em todas as circunstâncias. Podiam era ser ainda melhores.


  Esperemos palas provas que faltam, mas o padrão já começa a ser claro. Até porque, para além das palavras, são conhecidos alguns maus exemplos que vieram de cima.


Noticia original publicada em:01JUL2009

Autor:José Manuel Fernandes
 


Partilhar:

Artigos Relacionados
Comentários
Não existem comentários

Nome:
Endereço de email (não será publicado):
comentários:

O Futuro
Tradutor
Procura
Arquivo
Perseguição Notícias

christian_persecution.jpg

Islão: matar e submeter

Jihad_sword_index.png

Carta de Notícias

Subscreva a carta de notícias "Acordem" de Xavier Silva


Email:
Subscrever RSS

RSS url_to_submit_my_site_sites_websites_submission_rss_sm_1.jpg

Como escapar?

Rescue_Portug__sun_.jpg

PORTUG___Sheeple_47_190.jpg

David Dees galeria
Música

Ouça música enquanto navega!

img_musica.jpg

Contacto
Tráfego





Online

Mortes iraquianas...

Mortes iraquianas devido à invasão norte-americana

Iraq Deaths Estimator

©2018, BlogTok.com | Plataforma xSite. Tecnologia Nacional