desfaço os sinais dos inventores de mentiras, e enlouqueço os adivinhos

Os bons-americanos e os bons-alemães de Hitler | 31Jan2014 15:45:47

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Depois da barbaridade indescritível da era nazi, a pergunta que muitas vezes se faz é como é que o povo de um país que até aí tinha contribuído tanto para a civilização ocidental pode ter sido tão iludido.

Mais de meio século depois, é necessário fazer a mesma pergunta ao povo americano. Tendo tido conhecimento da morte, destruição, violência e sofrimento infligidos a milhões de pessoas após as invasões ilegais do Afeganistão e do Iraque e das imagens icónicas de crueldade e depravação em Guantánamo, Abu Ghraib e Fallujah, como é que eles, como país supostamente civilizado, não só não condenaram os responsáveis por esses crimes contra a humanidade, mas de facto aprovam e recompensam essa conduta fazendo-os voltar ao poder?

Recordando, também, que a doutrina de Bush representa os piores aspetos da política externa dos Estados Unidos, mas que no entanto têm sido a sua característica mais consistente ao longo de muitas décadas, não é natural que o mundo veja com maus olhos a noção do "bom americano” como a do "bom alemão" durante a era nazi? Quais são então os denominadores comuns? Quais são as semelhanças entre as atitudes populares dos americanos "normais" debaixo de Bush e do povo alemão debaixo de Hitler?

Sem dúvida que a primeira consideração é o chauvinismo catequizado do próprio povo americano, a crença inerente na sua própria superioridade em relação a outros países, mais pobres e mais fracos, inculcada por juramentos de lealdade infantis, a reverência idólatra da bandeira, do país e da pessoa do Presidente e aquela perspetiva histórica falsa dos seus supostos feitos, dos quais a reductio ad absurdum é a fantasia neoconservadora irracional de domínio mundial implícita no Projeto para um Novo Século Americano. No centro da xenofobia estridente e do nacionalismo belicoso da doutrina de Bush, percebem-se claramente as origens fascistas da Amerika über alles.

Doutrinados pelas tradições coercivas do seu sistema educativo, uma sociedade grosseira e bovina, ignorante mas bem alimentada e bebida, cada vez mais intolerante, conformista e medrosa, anseia pelas certezas morais de uma liderança hierárquica autoritária que irá agir como Superhomem nos subúrbios, Robocop nas cidades do interior e Juiz Dredd no estrangeiro. Em especial, o Presidente é uma figura de "Irmão Mais Velho". Se não existisse, teria, tal como o "Irmão Mais Velho" de Orwell, de ser inventado. O Presidente não passa de um ator, um boneco ou fantoche. As mãos dos seus conselheiros e das pessoas que lhe escrevem os discursos estão escondidas, mas estão lá, por trás do Presidente, a manipular os dentes e a fazer parecer que o fantoche presidencial é na realidade capaz de pensar e falar por si próprio. O papel do Presidente na sociedade americana com a sua mentalidade predominantemente anti-individualista, corporativa e coletivista é ser o vértice da sua pirâmide social hierárquica perante o qual todos devem servir. O Presidente é também o Bezerro de Ouro para ser adorado pelas massas bovinas. No mais verdadeiro sentido orwelliano, a sua função principal é providenciar o "...ponto focal para o amor, o medo e a reverência, emoções que se sentem mais facilmente em relação a uma pessoa do que a uma organização".

Apesar dos melhores esforços do seu sistema educativo, dos seus líderes políticos, religiosos e empresariais, propagandistas e formadores de opinião, os Bons Americanos não são, contudo, inerentemente estúpidos. O que se passa é que eles sabem de que lado é posta a manteiga no seu pão. No mais íntimo dos seus corações, eles mantêm-se receosos e duvidosos. Mas para se protegerem de pensamentos heréticos, leem ou ouvem as opiniões unicamente daqueles que propiciarão a sua autoimagem lisonjeira e reconfortante como campeões da liberdade, justiça, democracia e retidão. A sua ânsia é satisfeita com todo o prazer pelos media corruptos e interesseiros. E o que é mais essencial para o equilíbrio moral do Bom Americano é o "...parar, como por instinto, no limiar de qualquer pensamento perigoso”. Inclui o poder de não compreender analogias, de não perceber erros lógicos, de compreender mal os argumentos mais simples se forem contrários a..." o que quer que eles queiram acreditar, ou seja, o que quer que o seu Presidente lhes diga"... e de se aborrecer ou ser repelido por qualquer linha de pensamento que seja capaz de conduzir numa direção herética... em resumo, ... estupidez protetora".

Em conformidade, entre os Bons Americanos prevalece uma sólida disposição para engolir sem criticar e regurgitar os disparates mais evidentes, mentiras flagrantes, desculpas ocas, pretextos e justificações, mesmo quando a mentira interesseira e a hipocrisia da administração são expostas, como são de facto, repetidas vezes. O inimigo é demonizado como psicopata e mau, movido unicamente pela maldade e por um ódio irracional não provocado. No entanto, isto é imediatamente contraditório uma vez que, por definição, o mal e a maldade envolvem uma opção deliberada e conscienciosa de fazer aquilo que é maligno. Por outro lado, uma animosidade irracional e não justificada é totalmente psicótica, pelo que não pode ser inteiramente má, uma vez que a responsabilidade moral e também legal se encontra diminuída.

Além disso, sempre que se pede uma explicação para a razão pela qual os Estados Unidos são o objeto de tal maldade injustificada, há apenas uma negação zangada e indignada porque a estupidez protetora por oposição à estupidez unicamente intelectual é essencial para a paz de espírito dos Bons Americanos. Não ousam olhar para si próprios. A sua indignação, por exemplo, quando ouvem dizer que as imagens indeléveis de Abu Ghraib, com o seu meio distintamente sadomasoquista e pornográfico, são ícones indicadores da depravação da sua sociedade e da sua cultura em geral, só pode ser comparada à raiva do monstro Caliban ao ver o seu próprio reflexo. Ao ajudar a formar as opiniões dos Bons Americanos, os meios de comunicação empresarial dos EUA desempenharam bem a sua tarefa. São os verdadeiros herdeiros do manto espiritual de Josef Goebbels.

Os acontecimentos de 11 de setembro de 2001 foram de facto aterradores para o povo americano. Mas foram atos de terror que a elite política da América não perdeu a ocasião de explorar, para que o poder da sociedade hierárquica na América pudesse ser muito aumentado e a redução generalizada da liberdade individual justificada. Em especial, os ataques ao Afeganistão e ao Iraque, que a administração americana e aqueles que a aconselham já tinham contemplado muito antes dos ataques de 11 de setembro, podiam, por mais implausível que seja, ser justificados.

Tal como na Alemanha nazi, a elite governante, os seus apoiantes e colaboradores, não perderam a ocasião para reduzir a contestação às suas políticas. A posição oficial dos Estados Unidos foi declarada numa fase inicial. Nada menos que o próprio Presidente dos Estados Unidos afirmou que aqueles que desaprovam o que quer que seja que o governo deseja fazer não devem ser considerados melhores do que os próprios terroristas. Não é possível haver divergência de opiniões. Grotescamente, pensadores e escritores sinceros como Noam Chomsky, Gore Vidal ou Seymour Hirsch, foram mesmo acusados de "insubordinação" e "traição". A resposta habitual a quem como nós se opõe veementemente a Bush e aos seus aliados não é a argumentação racional, nem sequer há pretenção de o fazer, mas abuso ad hominem, insultos pueris, mensagens de ódio e mesmo ameaças de morte. Inacreditavelmente, alguns de nós, incluindo eu, fomos seriamente avisados que podíamos ser extraditados para os Estados Unidos para sermos julgados e presos. Mesmo agora, o governo Blair está a considerar a introdução de novas leis que permitam que os seus cidadãos sejam arbitrária e indefinidamente detidos sem julgamento ou acusação, caso sejam considerados um perigo para a segurança nacional por quem está no poder.

Hoje a América, amanhã o mundo?

5 Fev 2005, John Rhys-Burgess
www.opendemocracy.net







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