desfaço os sinais dos inventores de mentiras, e enlouqueço os adivinhos

O Homem Moderno | 17Abr2014 17:32:02

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Cada um de nós se encontra, neste mundo, confrontado com o homem moderno. Que se entende então pela expressão “homem moderno”? Dizer “homem moderno”, é fazer referência ao homem, enquanto produto da dita civilização moderna. E quando se fala de civilização moderna, dela se fala segundo o sentido conferido pela Santa Igreja, no seu Magistério, para qualificar a civilização que resulta do longo afastamento da Ordem Sobrenatural, e mesmo da Ordem Natural, o qual se iniciou com o declínio da Idade Média. Civilização moderna, quer dizer, civilização criada sobre os escombros da antiga civilização fundada sobre o Cristianismo.

O homem moderno é aquele ao lado de quem vós caminhais todos os dias, fruto desta civilização, o homem de hoje, o homem da rua, o homem que vê televisão, o homem preso ao seu computador, ou ao seu telefone portátil.

Suponhamos como já conhecidas as principais balizas do processo de apostasia que caracterizam os últimos séculos. Após a civilização comummente denominada medieval, iniciou-se este processo que passou pelo Renascimento, a Reforma protestante, o Iluminismo, a Revolução francesa, a Revolução marxista, e agora a nova ordem mundial. O conteúdo doutrinal das grandes etapas da revolução anti-cristã foi copiosamente elucidado por autores de valor como Bossuet, Donoso Cortes e o Cardeal Pie. Mesmo Augusto Comte, fundador do positivismo, sublinha que durante todo o século XVI, o século XVII, e o século XVIII, envidaram-se todos os esforços para destruir o que ele apelidava de poder teológico, para substituir o princípio tradicional por um outro “moderno”. Estes três séculos instauraram o que pode ser denominado - a Grande Revolução.

A Filosofia grega e a Teologia Medieval concebiam o Universo como uma Ordem Hierárquica, onde o Homem ocupava o cume do Cosmos. Tal se contempla claramente na visão de Dante, onde o Homem é o Rei da Criação, e a Terra é o centro do Universo, com as suas dez esferas concêntricas, que o peregrino percorre, até que chega ao Céu, ou ao Inferno.

O antropocentrismo moderno, o Humanismo da Renascença, as luzes, vão operar uma grande revolução. Marginalizando a Soberania de Deus, o homem quis constituir de novo o centro da Criação, mas arrogando-se prerrogativas que anteriormente eram reservadas à Divindade; fabricando assim uma nova religião baseada sobre a razão e o progresso científico, uma nova religião que possa satisfazer todas as aspirações da modernidade:
-A ciência positiva que gera o pro-cesso;
-O ideal da Renascença - Antropocêntrico;
-O espírito protestante secularistae dessacralizante;
-O gnosticismo moderno que,como religião da razão, acredita atingir finalmente o segredo do homem, bem como o do Universo, e a técnica da sua redenção.

Os filósofos das luzes
No século XVIII, e como uma espécie de ponto culminante deste processo, apareceu em França a figura dos filósofos sediciosos.

Estes filósofos, julgando-se representar um novo tipo de homem, chamado a estabelecer sobre a Terra a cidade de Deus, mas centrada sobre o homem, propunham-se dissipar totalmente o que consideravam as trevas da Tradição, eles, os inimigos de toda a superstição.

Os “iluminados,” as enciclopédias, se encarregaram de implantar esta ideologia, ideologia que se tornou comum, que impregnou o próprio tecido da sociedade. E contra os recalcitrantes, nasceu a famosa teoria do despotismo esclarecido, quer dizer, o apoio do braço secular para implantar as novas doutrinas. A Revolução soviética nada mais fez do que conduzirà sua plenitude o ideal libertário da Revolução francesa.

O Homem moderno, produto das duas grandes revoluções dos últimos tempos, colocou-se assim sob a égide de Prometeu, este herói titânico da mitologia grega, que roubou o fogo dos deuses para o dar aos homens: O Homem por excelência com uma maiúscula o qual desafiou as interdições de Deus, para comunicar o seu poder aos irmãos, concretizando finalmente a promessa do tentador: «vós sereis como deuses» e portanto «conhecedores do bem e do mal».

Este homem moderno pretende instaurar um mundo que seja sua criação, uma nova criação que não mais exprima a necessidade do Criador. O Catolicismo, principal adversário deste projecto triunfante, perdeu a sua influência social. Ficaram cristãos, mas não mais existe Cristandade, quer dizer, uma sociedade impregnada do espírito do Evangelho, do espírito da Santa Igreja. O Homem moderno encontra-se amputado do seu passado cristão, inclinado segundo um processo de crescente decadência, onde tudo parece naufragar no niilismo, cedendo às tentações desesperadas do suicídio e da droga. O mal é profundo e atinge o Homem nas suas raízes.

Já em 1909, Péguy havia entrevisto tudo isso: «A dissolução do Império Romano, escreve ele, não foi nada em comparação com a sociedade actual. Talvez nesse Império houvesse mais crimes e um maior número de vícios, mas dispunha também de recurso sinfinitamente maiores; constituía uma podridão repleta de sementes, era uma época que não conhecia esta espécie de promessa de esterilidade que contemplamos hoje.»

Um homem «ao de leve»
O Homem moderno, diz um autor argentino, E. Rojas, é muito semelhante aos famosos produtos “Light”, hoje em voga: alimentos sem calorias, manteiga sem gordura, cerveja sem alcoól, açucar sem glucose, tabaco sem nicotina, um homem novo desumanizado, cuja palavra de ordem é tudo tomar sem caloria, enfim, um homem sem substância, sem conteúdo, entregue ao dinheiro, ao poder, ao sucesso, aos prazeres ilimitados e sem restrição. Marcel de Corte aplicava ao Homem de hoje o que o poeta inglês William Becke dizia do seu século, assinalando as consequências e os estigmas que se manifestavam até na sua realidade física, quando ele abandona os fins naturais: «Eu vejo um sinal sobre todos os rostos, sinal de fraqueza, sinal de debilidade, sinal de dificuldade».

De que serve proceder a tal verificação, senão para vos convidar a reconhecer este homem moderno, a fim de não cairdes, vós também, nesta armadilha, a fim de auxiliar este homem moderno a reencontrar o homem cristão, o católico integral, o qual sabe que se nutrindo- dos Sacramentos, da oração, ele poderá caminhar contra a corrente desta demissão universal,  para atingir a felicidade eterna, e se constituir forte, com a mesma força de Deus?

O nosso país tem necessidade do vosso entusiástico e generoso compromisso, bem como da vossa lucidez.

Neste mundo destruído pela toxico-mania dos excessos, vós católicos, vós tendes a testemunhar também acerca do valor, da moderação e da temperança cristãs. Há um combate e uma resistência a travar. Trata-se de resistir, contra ventos e marés, contra a avassaladora corrupção dos costumes. Trata-se de não permitir cair na armadilha que nos estendem todos aqueles que se aplicam a operar esta degradação, a todos aqueles que parecem extrair prazer em eivar este maravilhoso período da existência que vós viveis, oh jovens, sois vós que deveis preservar das sujidades do mundo, se pensais seriamente em vos tornardes homens no mais nobre sentido do termo, visto ser absurdo esperar um belo verão se devastais a primavera.

«Não percamos a Esperança, dizia o Padre Calmel. A Esperança de possuir a Deus, após alguns anos de fidelidade, e de combate nesta Terra, a Esperança Teologal habilita-nos a prosseguir o combate com um coração puro; mesmo no dia em que não possuirmos mais qualquer sucesso visível ao qual nos vinculemos. O impulso, que se fundamenta na Graça de Deus, tendo em vista o Paraíso, sustenta-nos neste combate terrestre, querido por Deus, quer a saída seja luminosa ou obscura».

Escrevia Saint-Exupery, pouco tempo antes de desaparecer, em 1944: «Odeio a minha época com todas as minhas forças, nela o homem morre de sede». Só existe um problema no âmbito do mundo: facultar aos homens uma  significação espiritual, inquietações espirituais, «fazer chover sobre eles qualquer coisa que se assemelhe a um Canto Gregoriano.»

Abbé Xavier Beauvais

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