desfaço os sinais dos inventores de mentiras, e enlouqueço os adivinhos

Defender a fé católica por meio das Sagradas Escrituras, 3ª parte | 10Out2014 17:32:38

 


CORNELIA FERREIRA
Entrevistadora

Convidado: John Salza
Tópico: Defender a fé católica por meio das Sagradas Escrituras, 3ª parte

(Cornelia) Olá, bem-vindo novamente ao programa Our Lady`s Army of Advocates [Exército de Apoiantes de Nossa Senhora]. Está a decorrer a conferência em East Haven, Nova Jersey. Eu sou Cornélia Ferreira e tenho aqui comigo de novo John Salza que foi um dos oradores da Conferência e que falou sobre as Sagradas Escrituras  como base da Fé Católica, e escreveu este livro aqui, The Biblical Basis for Tradition [O Fundamento Bíblico da Tradição] que espero os nossos leitores tentem obter, e entra em pormenores  sobre as Sagradas Escrituras como base da nossa fé.

E John, mais uma vez, bem-vindo ao programa. Da última vez falámos sobre a infabilidade do Papa e a infabilidade da Igreja em certas condições e fórmulas estritas. Ora, uma das questões sobre infalibilidade levantadas recentemente, devido ao caos na Igreja, é a questão das beatificações e canonizações, especialmente as mais recentes, as dos dois papas, papas pós-Concílio. Então, como é que isso se enquadra... o que a Igreja está a ensinar sobre infalibilidade, quando, por exemplo, alguém é declarado santo?

(John) Pois. A Igreja nunca declarou solenemente que uma canonização é infalível, certo? E não tenho a certeza que a Igreja vá alguma vez declarar isso solenemente porque parece-me que saber se alguém está no Céu está fora da jurisdição. Contudo, pode ser feito porque a principal razão das canonizações é mostrar alguém como modelo de virtudes heróicas. Essa é a razão principal. O resultado inevitável é supor que, como a pessoa viveu uma vida de virtude heróica, está no Céu entre os bem-aventurados, certo?

Mas a Igreja nunca disse categoricamente que as canonizações são infalíveis. Agora, os teólogos têm mantido essa opinião, pode-se até dizer que é uma posição teológica comum

(Cornélia) A maior parte dos Católicos acredita nisso.

(John) Sim, a maioria dos Católicos acredita nisso. O Papa Bento XIV o sugeriu fortemente, embora tenha falado como doutor privado, mas sugeriu sim. São Tomás de Aquino era dessa opinião, mas ele também disse que se algo for baseado no testemunho humano pode ser falso; portanto não existe nada definitivo a esse respeito. Então, em vista das recentes canonizações, muitos apologistas e estudiosos concluíram que as canonizações não podem forçosamente ser infalíveis. Bem, eu não adotei essa abordagem porque não tenho a certeza se estou pronto para discordar de alguns desses grandes teólogos. Quer dizer, existe a postura de que como as canonizações estão tão ligadas à verdade revelada, têm que ser infalíveis porque o Papa está a fazer uma declaração solene.

Portanto, a forma como tenho abordado isto, Cornélia, e é um tópico muito difícil, porque estamos a falar de dois papas que foram responsáveis por algumas das maiores destruições da Igreja em toda a História da Igreja. Como isto é possível? Eu tenho abordado este assunto do ângulo das canonizações serem válidas sequer pelas leis da Igreja, porque me parece que se uma canonização é infalível, primeiro tem que forçosamente ser válida; “válido” é o primeiro e necessário passo para saber se algo é infalível. Quando li as leis que João Paulo II instituíu, e são as mesmas leis em que o Papa Francisco se baseou para canonizar João XXIII e João Paulo II. Primeiro essa legislação diz que os escritos do candidato devem ser livres de erro de doutrina ou erros morais. É extremamente importante. Esse é o primeiro ponto.
O segundo ponto é...

(Cornélia) Foi promulgada no papado de João Paulo.

(John) Foi no papado de João Paulo. Acho que em Latim o documento se chama Divinus Magister Perfectionis. Mas o segundo ponto é que essa decisão foi delegada ao Bispo local – Cracóvia – no caso de João Paulo II.  No processo pré-conciliar, e este processo existiu durante cerca de mil anos, o Papa era o principal investigador, o Papa designava uma pessoa para ser o que se chamava “advogado do diabo”, que na realidade, era um advogado que comparecia diante do Tribunal Eclesiástico para tentar desacreditar as testemunhas mostrando que aquela pessoa NÃO tinha vivido uma vida de virtude heróica. Era crucial para o processo.

É por isso que os estudiosos estão a dizer que como este novo processo não inclui um advogado do diabo e como o novo processo não exige os dois milagres necessários para se proceder à beatificação e os dois milagres para a canonização, não pode ser infalível. Concordo com isso, mas estou a dar um passo atrás e a dizer:  acho que é ainda mais fundamental do que isso. Porque está claro que os escritos desses papas são contrários à fé e à moral. João XXIII escreveu sobre a liberdade religiosa, que o homem tem o direito de adorar de acordo com a sua consciência. Posso falar muito tempo sobre os escritos de João Paulo II. Até a participação deles em adoração não católica, ambos, durante a vigência do Código do Direito Canónico de 1917 que estava em vigor durante os seus pontificados, mesmo até João Paulo II 1983, estava até em vigor durante parte do pontificado de João Paulo II. Sabia que o Código de 1917 declarava que se alguém adorasse com um não católico era suspeito de heresia? E o entendimento era que se insistisse nessa prática seria claramente um herege

(Cornélia) É verdade.

(John) e afastado da Igreja. Por isso é perfeitamente claro, objetivamente falando, que temos coisas que são contrárias à fé e à moral católicas. Quando apresentei os meus argumentos...

(Cornélia) Estamos a falar aqui, mas coisas como os encontros de paz de Assis e todo o diálogo, diálogo inter-religioso, que começou com: "Estamo-nos a reunir para rezarmos, mas não estamos a rezar juntos." Lembra-se? Disseram isso no primeiro encontro de Assis, mas agora estamos a rezar juntos. Por isso estamos a voltar ao Direito Canónico de 1917 que diz que tal é proibido.

(John) Correto. É uma distorção de palavras puramente modernista que é um perfeito disparate. Mas sabe, seja como for, e a adoração conjunta com não católicos sempre foi proibida, São Paulo diz para não nos submetermos a um jugo desigual com os infiéis, é prejudicial à fé e, a propósito, é uma ofensa a Deus, é um pecado contra o primeiro mandamento. Percebe?

(Cornélia) Exatamente.

(John) É o ponto principal, é contra a lei divina, não quero saber do que diz o Direito Canónico: é contra a lei divina.

(Cornélia) Bem, o Direito Canónico também está baseado na lei correta.

(John) Sim, está, mas quando penso no código de 1983 não quero saber, não me interessa que o código não o mencione porque trata-se da lei divina, quer mencione quer não. Mas essa é a práxis. Mesmo a doutrina de João Paulo II, sabe, João Paulo II disse, e foi escrito, que as seitas não católicas fazem parte da Igreja Católica Romana, que têm uma missão apostólica, etc.

(Cornélia) E que existe verdade nelas e que temos que reconhecer a verdade nelas, e assim por diante.

(John) E, repito, não afirmo ser nenhuma autoridade nestas questões para fazer quaisquer juízos definitivos.  Estou a dizer o que São Tomás de Aquino disse. São Tomás disse que contra factos não há argumentos. Se falamos aqui de factos objetivos e se a lei da Igreja diz que os escritos de um candidato devem estar livres de erros de doutrina ou morais, e é um facto que esses dois papas escreveram coisas contrárias à fé católica, contra factos não há argumentos. Não estou a dizer que eu tenho a autoridade. Estou a dizer é que contra factos não há argumentos. O facto é que na atual lei da Igreja essas causas não podiam ter chegado à Santa Sé.

Mas o problema, Cornélia, é que de acordo com a legislação de João Paulo II, ele delegou essa decisão ao bispo local. Esta é a era, a era da colegialidade do Vaticano II, onde agora os bispos, diz isso na legislação de João Paulo II, diz assim: “Queremos que os bispos assumam um papel mais dinâmico, que tenham um papel mais próximo nas beatificações e canonizações”. Mas sabe uma coisa? Os bispos não estão protegidos pela infabilidade dada pelo Espírito Santo. Só São Pedro e os seus sucessores é que estão. Logo isso compromete o processo logo desde o início. E depois do bispo... como é que o bispo pode concluir... isso foi ignorado, sabe? O facto é que há certas coisas contrárias à fé e à moral.

No processo atual, essa causa nunca devia ter avançado. Mas avançou, e quando chegar à Santa Sé, a Santa Sé vai olhar para o dossiê e proceder a uma votação. E depois da votação é entregue ao Santo Padre e ele faz a declaração. Agora um católico, um católico novus ordo podia dizer: “Um momento! O Papa fez uma declaração solene neste caso, e em virtude da declaração dele isso é infalível”. Até os  sedevacantistas argumentarão isso. Qual é a nossa resposta? Bem, não é uma analogia perfeita, mas eu a compararia à teologia dos sacramentos em que é preciso ter forma válida, mas também matéria válida. É preciso haver matéria válida. Ninguém está a dizer que Francisco não usou a forma válida neste caso.

(Cornélia) São as palavras.

(John) Usou sim.  Ele usou as palavras. Mas estes candidatos não eram matéria válida para a canonização, porque pela lei da Igreja eles não passaram no teste dos seus escritos e práticas estarem livres de erros de doutrina e erro moral. É tão simples como isso. Mesmo que... se o Papa usar uma forma inválida nos sacramentos, eles são inválidos. Não interessa se ele é o Papa ou não. O mesmo se aplica às canonizações.
Então, sabe, existe o erro por excesso, como muitas vezes é chamado, em que Católicos e os sedevacantistas dizem que qualquer coisa que o Papa faça é infalível, incluindo as canonizações. Mas isso não é verdade. Na atual legislação da Igreja é preciso cumprir determinados requisitos. Depois, claro, há o que chamamos erro por falta que afirma que o Papa só é infalível quando usa o seu magistério extraordinário, mas isso também não é verdade. Percebe? Mas neste caso temos o erro por excesso em que só porque o Papa fez uma declaração, se virmos o processo, ele não...

(Cornélia) Então o processo tem falhas.

(John) Com certeza! Se dissermos que mil anos estabelece a tradição eclisiástica que foi guiada pelo Espírito Santo, podíamos usar esse argumento e, claro, mil anos é muito tempo, não é? Por exemplo, o Rito Romano! Olhe, ele tem essencialmente 1500 anos, nós achamos que data do tempo dos Apóstolos, mas em essência.... Mil anos é muito tempo para estabelecer o processo de canonização. Uma vez que nos desviemos desse processo, tudo pode acontecer. Não sabemos se podemos confiar.

Uma outra coisa que quero mencionar é que no Vaticano I, quando fala sobre a assistência do Espírito Santo ao Santo Padre, diz que o Santo Padre receberá assistência divina quando proclama uma doutrina sobre fé ou a moral. Esta afirmação tem dois aspetos. Primeiro: uma canonização não é, em si, a declaração de uma doutrina sobre fé ou moral. O fato de alguém ser santo não faz parte do Depósito da Fé, não é verdade?

(Cornélia) É. 

(John) Quer dizer, a pessoa viveu depois do Depósito da Fé.

(Cornélia) É verdade.

(John) Essa é a primeira coisa. Mas mesmo partindo do princípio que esse seja o caso: isto cumpre o Protocolo? Satisfaz os requisitos da Igreja? E podemos concluir que não cumpriu. Não cumpriu. E essa assistência divina, repito, mesmo partindo do princípio que as canonizações são infalíveis, a assistência divina não se aplica ao Santo Padre porque o Santo Padre deixou de ser o principal investigador no processo de canonização, está a ver?

(Cornélia) Sim, o nível é muito inferior.

(John) O nível é inferior. É evidente que não é dada assistência divina a esses bispos porque Cristo não a prometeu a eles. Por estas razões, chego à conclusão de que antes de falarmos sequer da infalibilidade, o que está em questão é a validade.

(Cornélia) Este é um assunto muito sério porque as pessoas estão a ser desencaminhadas... nem é dos dois papas que estamos a falar. Até alguns dos outros santos que foram canonizados nos últimos vinte anos, mais ou menos, a começar pelo Papa João Paulo II, ele canonizou não sei quantas pessoas, mas um monte de pessoas que é um risco, quanto a nós, devido às suas crenças, sabe, não sabemos se devemos acreditar nelas ou não, quer dizer, são liberais e, sabe, nós podíamos... É o mesmo processo cheio de falhas, não se trata só dos dois papas, começou quando, há uns 20 anos, o senhor diria? Ou algo assim?

(John) Certamente. Os Católicos...

(Cornélia) Vinte, vinte e cinco anos?

(John) Os Católicos precisam de abraçar a filosofia de São Tomás porque contra factos não há argumentos. Não preciso de uma autoridade que me diga que certas coisas são objetivamente verdade, porque Deus me deu o raciocínio para saber essas coisas, não é verdade? E tem razão, muitas canonizações, José Maria Escrivá, sabe, os próprios delegados dele não queriam que fosse canonizado. Alegaram que ele era um mentiroso, que ele mentiu sobre

(Cornélia) Quando existe um advogado do diabo, todos esse argumentos são deitados fora. É aí que está o problema. Remover o advogado do diabo foi uma jogada muito inteligente.

(John) Claro, claro que foi.

(Cornélia) Porque não importa o que se diz contra a pessoa. Se eles quiserem que seja aprovado, vai ser aprovado.

(John) É completamente contrário à razão.

(Cornélia) É verdade.

(John) Ainda que ponhamos a teologia e o processo de lado, porque é que aconteceu nos últimos oito anos, mais ou menos, ou nove anos? Porquê tão rápido? Porque não podemos esperar cinquenta ou cem anos? Isto nunca aconteceu antes. Quanto tempo levou para beatificar São Tomás de Aquino, Fischer, Moore? Levou 400 anos, Joana d’Arc, todos esses santos.

(Cornélia) Bem, alguns santos foram beatificados mais rápido, como Santo António de Pádua, eu acho, por exemplo. Mas a santidade dele era tão aparente, os milagres quando ainda estava vivo, etc. Isso diz muito, sabe?

(John) São Pio X, o advogado do diabo da canonização dele foi tão rigoroso que sabe o que descobriu? Descobriu que Pio X fumava um cigarro por dia e que rezava a missa em 25 minutos ou menos. Foi só o que descobriu, mas exemplifica como o processo foi rigoroso. Imagine a quantidade de provas objetivas que existe contra isto! É por isso que estamos numa crise. É um exemplo e uma manifestação da crise.

(Cornélia) É um problema terrível e acho que só vai ser resolvido por Nossa Senhora de Fátima depois da consagração e esperamos que tudo volte à normalidade na Igreja. John, muito obrigada pela sua explicação sobre infalibilidade e as canonizações, e mais uma vez obrigada por estar aqui connosco.

Obrigada pela sua presença no programa Our Lady’s Army of Advocates.







Partilhar:

Artigos Relacionados
Comentários
Não existem comentários

Nome:
Endereço de email (não será publicado):
comentários:

O Futuro
Tradutor
Procura
Arquivo
Perseguição Notícias

christian_persecution.jpg

Islão: matar e submeter

Jihad_sword_index.png

Carta de Notícias

Subscreva a carta de notícias "Acordem" de Xavier Silva


Email:
Subscrever RSS

RSS url_to_submit_my_site_sites_websites_submission_rss_sm_1.jpg

Como escapar?

Rescue_Portug__sun_.jpg

PORTUG___Sheeple_39_190.jpg

David Dees galeria
Música

Ouça música enquanto navega!

img_musica.jpg

Contacto
Online

Mortes iraquianas...

Mortes iraquianas devido à invasão norte-americana

Iraq Deaths Estimator

©2017, BlogTok.com | Plataforma xSite. Tecnologia Nacional