desfaço os sinais dos inventores de mentiras, e enlouqueço os adivinhos

Manipulação de um Sínodo do Vaticano? | 24Set2015 19:31:41

 


PELO MUNDO FORA - COM RAYMOND ARROYO
Agora, uma vez mais, Raymond Arroyo

Bem vindos novamente ao “Pelo Mundo Fora” ao vivo. Em Outubro passado, os cardeais de todo o mundo reuniram-se em Roma para o Sínodo sobre a família. O Papa queria que discutissem os desafios pastorais, enfrentados pela igreja, no ministério à família. Os assuntos que mereceram a maior parte da atenção da imprensa foram a comunhão para os católicos divorciados e casados novamente, o cuidado pastoral aos homossexuais, bem como a igreja tratará os relacionamentos do mesmo sexo.
    Alguns viram as discussões como uma necessária lufada de ar fresco, outros criticaram o que consideraram um esforço para alterar a doutrina da Igreja sobre o matrimónio e a família.
    Agora, um novo livro dá conta da movimentação de bastidores que moldaram o Sínodo e coloca uma pergunta provocativa: terá o resultado do Sínodo sido pré-estabelecido? Tem como título “A Manipulação de um Sínodo do Vaticano - Um inquérito sobre a alegada manipulação no Sínodo extraordinário sobre a família”, é um novo livro electrónico da Editora Ignatius. Connosco no estúdio está o autor e correspondente no Vaticano para o National Catholic Register, Edward Pentin. É um prazer tê-lo aqui.

Apresentação
Edwar Pentin: É bom estar aqui.
RA: E começo por lhe perguntar, porque resolveu escrever este livro? Quero dizer, você fez a cobertura de todos os acontecimentos à medida que estavam a acontecer, porquê escrever um livro sobre o mesmo tema?
EP: Bem, acho que haviam, haviam algumas perguntas sem resposta durante o Sínodo, e penso que, as pessoas ouviram sobre a alegação da maquinação ou manipulação que estava a acontecer, e então pensei, bem, como jornalista tenho que descobrir a verdade, e se há algo injusto então isso tem que ser revelado, então pensei, bem, tenho que olhar para isto com mais atenção, então pensei, no último ano e tal, tenho estado a rever tudo o que aconteceu com mais detalhe e isso, de certa forma, deu lugar a este livro, mas, como digo, é importante que o título tenha o sinal de interrogação no fim porque é, eu quero que seja o leitor a decidir, que olhe para os indícios e depois decida, foi manipulado, terá havido maquinação, terá sido empurrada uma agenda, e realmente permitir que seja o público a tirar as suas próprias conclusões das evidências apresentadas.

Manipulação por pessoas do topo
RA: O Cardeal Napier, o Cardeal africano de grande reputação, a certa altura é-lhe dito por um funcionário do Sínodo, e isto é uma citação, "esta coisa está a ser manipulada, está a ser engendrada; eles querem um determinado resultado." Quem são eles?!
EP: Eles são... constatei, pelas minhas investigações, foram provavelmente cerca de sete ou oito pessoas que estiveram envolvidas nisso e vieram do topo da organização do Sínodo, o secretariado do Sínodo. Então eu penso que essas, essas sete ou oito pessoas estavam empenhadas num certo resultado, elas queriam ver a sua agenda imposta, e, sim, foram eles.
RA: O Cardeal Baldisseri e alguns dos outros, Arcebispo Forte, estas são as pessoas que foram realmente instrumentais.
EP: É verdade! O Cardeal Baldisseri, que é o secretário geral do Sínodo dos Bispos, nomeado pelo Papa Francisco e também o Arcebispo Forte, que é o secretário especial; parecem estar a forçar algo, uma certa agenda que era, obviamente, a maioria não gostava, era contrária ao que eles pensavam ser os ensinamentos da igreja e....
RA: Queria voltar atrás um pouco, queria falar sobre o discurso controverso do Cardeal Walter Kasper em Fevereiro,
antecedendo o Sínodo extraordinário, onde ele apresentou esta noção, de que os católicos divorciados e casados novamente deveriam ser permitidos um certo processo penitencial, não seria uma anulação, que não levaria tanto tempo. Qual, qual foi a essência dessa proposta, e essa campanha continua? A última vez que entrevistei o Cardeal Walter Kasper pareceu que estava a voltar atrás, mas estará mesmo?
EP: Não sei se estará mas penso que existe uma, penso que ele, ele não se sente talvez tão apoiado como no princípio do processo e penso que ele está agora a retroceder um pouco, para ver se as coisas se desenvolvem por si, penso, mas, sim, isso, essa proposta foi muito controversa como é do conhecimento de muitos espectadores, que foi, foi, muitos viram isso como um ataque à Eucaristia e, alguns dizem que foi como um ataque em três frentes, não apenas à Eucaristia mas também à confissão e ao próprio casamento. Então essa foi, essa foi a grande preocupação.
Eu coloquei no livro, no segundo capítulo, um capítulo inteiro dedicado ao que está em causa no Sínodo; para que o leitor possa ter uma ideia do porquê das pessoas estarem tão acaloradas sobre ele.
RA: O porquê da importância de tudo isto, sim! E, e o próximo Sínodo onde tudo será decidido
EP: Exatamente.
RA: e vamos falar sobre isso brevemente. Você, você sugere no livro que isto é tudo um cavalo de Tróia...
EP: Sim! Esta é uma opinião que, que a questão do divórcio e recasamento estava a ser usada por certas pessoas dentro do Sínodo,
para tentar forçar outra agenda,...
RA: E qual era essa outra agenda?
EP: Essa outra agenda basicamente centra-se na aprovação das uniões do mesmo sexo dentro da igreja, mudar os pontos de vista da igreja sobre a sexualidade, a doutrina da igreja de certa forma, portanto toda a prática pastoral que, por sua vez, eles argumentam que vai afectar a doutrina, então, ensinamentos sobre coabitação por exemplo, etc.

Relatório intercalar
RA: Foi, foi esse relatório intercalar, o relatório que coligou e reuniu todas as intervenções e as conversações, durante a primeira parte deste processo, eles emitiram este relatório intercalar, foi isso que causou tanta agitação,
EP: Sim.
RA: porque foi divulgado ao público, à imprensa, antes mesmo dos Cardeais o terem visto. Diga-me como é que isto aconteceu e, muitos Cardeais disseram, isto não tem nada a ver com as conversações que temos tido, na verdade, ninguém sequer falou sobre a homossexualidade ou comunhão para divorciados que voltaram a casar, nós mal tivemos conversações sobre isso.
EP: Sim, quer dizer, isto foi o que realmente alertou as pessoas para o facto de pensarem estar a acontecer uma certa manipulação, porque eles disseram, você sabe, nós não ouvimos estas coisas serem discutidas na primeira semana,
e de repente estavam por todo o lado, e foram divulgadas à imprensa, antes mesmo de as conhecerem e antes mesmo de terem visto o relatório então, argumentaram que estava, que isso estava a ser forçado mas também, quer dizer, contra isso, as pessoas dizem, bem, houve tantas intervenções, que seria muito difícil de, de as juntar em tão pouco tempo,
RA: Certo.
EP: então eles tiveram que, de certa maneira, preparar este documento antes mesmo de o Sínodo ter começado.
RA: Então você crê que foi, foi preparado de antemão? Antes?
EP: Bem, é este o argumento sim, que, todos estes, certos aspectos foram talvez preparados antes de começarem as discussões nessa primeira semana, então, hã, então é, sim, quer dizer, é, poder-se-ia considerar isso de vários ângulos.
RA: Bem, você mencionou isto no seu livro e eu, eu falei com algumas pessoas que dizem, espere um pouco, isto foi escrito, cada, cada padre sinodal submeteu uma intervenção por escrito, que foi entregue antes de o Sínodo começar e essas intervenções escritas foram a base do relatório intercalar, válido?
EP: Isso é, isso é possível, sim, mas, o relatório intercalar é suposto ser, é considerado o relatório das discussões tidas na primeira semana do Sínodo, então, se não é este o caso, então é uma deturpação disso.

Cardeais africanos
RA: Diga-me quão crítico o seu, você relatou sobre este Sínodo, você fez relatos incríveis, mas no meio, você entrevistou o Cardeal Kasper, à saída das reuniões do dia; e ele comentou algo acerca dos Cardeais africanos, que os africanos não deveriam ser ouvidos sobre o divórcio e outras coisas, é tabu para eles, e vão atrasar-nos; isso foi um ponto de viragem importante, não foi?
EP: Sim, quer dizer, as pessoas têm dito isso, que isso acordou as pessoas para o facto de existirem certas coisas que, você sabe, estavam em jogo das quais não se tinham dado conta, e que, você sabe, havia este grupo, os aliados do Cardeal Kasper se quiser
RA: Certo.
EP: que não estavam preparados para ouvir o que os africanos tinham para dizer, por exemplo, sobre o casamento do mesmo sexo, uniões do mesmo sexo e então isso, isso foi um ponto de viragem penso, sim.
RA: Bem, acordou e galvanizou todos os Cardeais africanos.
EP: Sim, eles deram-se conta que, eles não iriam ficar quietos, e não iriam ser silenciados por aqueles que conduziam o Sínodo; chegaram à conclusão de que tinham que falar, então, sim, galvanizou-os.

Relatório final
RA: Há outra coisa que você relata pela primeira vez, eu vi, impresso pelo menos, isto é tudo novo para mim, mas, penso que isto não apareceu em mais lado algum, e você escreve sobre uma discussão acesa durante o relatório final, então, o Sínodo terminou, as conversações terminaram, e temos certas pessoas a elaborar o relatório final; o Cardeal Napier é uma dessas pessoas, o Cardeal Wuerl, Donald Wuerl de Washington é uma dessas pessoas; o que é que aconteceu nessa preparação final?
EP: Sim, bem, o Cardeal Napier queria que, eles iam colocar os... relacionamentos do mesmo sexo junto com o casamento, na secção do casamento e o Cardeal Napier não gostou disso claro, porque, você sabe, na doutrina da igreja as uniões do mesmo sexo não são casamento, então ele pediu que essas fossem separadas, mas ele disse que basicamente não lhe deram ouvidos, não prestaram atenção, porque ele estava a falar em inglês, mas eles não queriam, parecia, prestar atenção e o Cardeal Wuerl alegadamente interveio, isto foi o que ouvi e estava muito revoltado com isso, e disse, oiçam o Cardeal Napier, oiçam o que está a dizer, não o ignorem, ele é, ele está no comité, tem todo o direito de fazer o seu relatório, dar a conhecer a sua opinião e aparentemente isso causou muita agitação, esse momento, mas existem outras coisas também que coloquei no livro, acerca do documento final e a maneira como foi de uma certa maneira engendrado, e também, penso que o grupo Voz da Família, que era composto de grupos pró-vida, fez saber que os documentos do Sínodo tentam ser fiéis a dois, hã, dois elementos de autoridade, os sinais de Deus e os sinais da história da humanidade e argumentam que isso não se pode realmente fazer, porque irá causar um conflito entre os dois e no final esse conflito enfraquecerá a lei natural, que a lei natural não será mais vista como imutável, então este é um ponto muito importante, eu penso, que eles apresentaram e isso está contido nos documentos do Sínodo.

Parágrafos rejeitados foram incluídos
RA: Mas, antes de terminar o nosso tempo, o documento final sai; agora, este documento final é o documento regulador, para o Sínodo que será convocado em Outubro.
EP: Sim.
RA: Os Cardeais reviram-no parágrafo a parágrafo, votaram, no que deveria ser incluído ou não, mas no final do dia, foi tudo incluído! E existem menções ao casamento do mesmo sexo no documento final, coabitação, comunhão para divorciados e os que voltam a casar, agora, todos esses parágrafos tinham falhado, mas foram incluídos. Foi o Papa, foi o Papa Francisco que disse, imprimam-nos todos!
EP: Sim. Sim.
RA: Ele é o Papa, ele pode fazer isso.
EP: Sim.
RA: Certo?
EP: Sim, isto é outra vez, as pessoas viram isto como se se estivesse a tentar empurrar uma agenda, quer dizer, não sabemos se é mesmo isto o que o Papa quer ou se apenas quer que isto seja discutido de uma forma correta e extensiva 
RA: E ter um debate e discussão extensivos.
EP: Sim, mas normalmente quando não há voto de consenso, estas coisas são rejeitadas, então, se não recebem, eles, estes não tiveram os votos de dois terços, por isso deveriam essencialmente ter sido rejeitados.

Próximo Sínodo
RA:O que é que tudo isto nos diz do Sínodo que se vai reunir em Outubro? Isto mostra-nos alguma coisa sobre as dinâmicas que estão em jogo? Existe uma barreira africana, se quiser? Parece que os africanos estão muito contestatários hoje em dia.
EP: Sim, e penso que neste próximo Sínodo vão estar ainda mais contestatários do que no último, porque podem ver, o plano geral, e não penso que estejam a gostar, e penso que vão fazer ouvir as suas vozes de uma forma que não aconteceu da última vez, mas penso, quer dizer, estou convencido disso, penso que...
RA: Você está convencido?!
EP: Bem, no sentido de que penso que, o tipo de, estas alegações de manipulação, acho que foram muito claras, as pessoas viram-nas, eu penso que as pessoas vão estar mais atentas a elas desta vez, se existe uma agenda a ser imposta, contrária aos ensinamentos da igreja estabelecidos, penso que vão, elas vão estar conscientes disso, e também, penso, o que, visto de um outro ângulo, o primeiro Sínodo falou dos problemas que o casamento e a família enfrentam, pelo que o ponto de partida era diferente; este fala acerca das soluções, e sabe-se que as soluções estão todas lá, na doutrina da igreja, portanto desta vez vai provavelmente começar com a doutrina e é isso que os críticos dizem que deveria ter acontecido na última vez, começar com a doutrina e não com o problema.

Última semana do Sínodo
RA: Fale-me acerca da forma como este memorando, este documento final e o documento introdutório, o documento de trabalho para o Sínodo que estar para vir; o seu formato, como é que isso ditará o processo, e a discussão, que está em causa aqui, quando Outubro chegar?
EP: Bem, isto é interessante porque penso, daquilo que tenho escutado, é que o Sínodo vai ser, vai ter três partes; e penso que a terceira parte, o final deste Sínodo vai ser sobre as, as questões mais controversas.
RA: Então a última semana.
EP: Sim, a última semana, o Instrumentum laborius; agora, alguns estão a dizer que este é outro aspecto, outra maneira de tentar empurrar a agenda,
à medida que o tempo se esgota, então eles vão falar acerca destes assuntos, e simplesmente, basicamente...
RA: Então coabitação, casamento homossexual, comunhão para divorciados e os que voltam a casar, tudo isso será abordado na última semana.
EP: É verdade.
RA: Mas nas primeiras duas semanas, assuntos da família em geral?...
EP: Sim, sim, então há o argumento de que quando o tempo estiver a chegar ao fim, estas coisas serão,...
RA: Empurradas à força.
EP: Empurradas à força. Se isso vai acontecer não sei, mas é uma preocupação.
RA: Agora, lembro-me do Cardeal Pell, e você relata isto no livro, o Cardeal George Pell, exige a publicação dos grupos de trabalho menores, que sejam gravados e fielmente relatados e divulgados à imprensa.
EP: Sim.
RA: Nessa altura queriam que todos soubessem: olhem, estas são as conversações que estamos a ter.
EP: Sim.
RA: Você imagina, em coerência com a visão original do Cardeal Baldisseri para o último Sínodo, que o novo Sínodo, o próximo que se reunirá, será totalmente privado? as discussões serão privadas, ou pensa que serão tornadas públicas? Eu acho que poderão ser tornadas públicas, eu acho que serão, acho que haverá mais abertura desta vez, e penso que haverá um sentido maior de equidade, eu penso que essa é a esperança pelo menos; se isso vai acontecer não sei mas penso que se retirarem as lições do que aconteceu da última vez eu penso que isso acontecerá, porque houve, como sabemos houve muita controvérsia na última vez.

Final da entrevista
RA: Para quem é que escreveu este livro?
EP: Eu escrevi-o realmente para o normal, você sabe, simplesmente o leitor católico normal, que ouviu acerca disto e ficou preocupado e queria saber, realmente, o que se passou atrás da cenas e saber o que está em jogo, porque é que existe tanta emoção, porque é que estas coisas são tão importantes e é por isso que penso, o bem que pode vir disto, penso que isto é, isto pode ser um momento catequético para muitos católicos, para saberem porque é que a igreja nos ensina isto, e porque é que as pessoas estão tão preocupadas com estas coisas.
RA: Edward Pentin, obrigado por ter estado aqui; é realmente um relato interno de, realmente, todos, todos os ângulos, foi uma leitura fascinante. Conhecia alguma coisa mas não tudo; você realmente sintetizou o assunto muito bem. Edward Pentin, obrigado por ter vindo.
EP: Muito obrigado.
RA: A propósito, o Cardeal Napier, que endossou o livro,  escreve, é um relato absolutamente fascinante do Sínodo de 2014, em especial as maquinações que o rodearam. The Rigging of a Vatican Synod (A Manipulação de um Sínodo do Vaticano) - uma investigação à alegada manipulação no Sínodo extraordinário sobre a família; o novo livro digital, por Edward Pentin, está à disposição na internet agora pela Ignatius Press, na Amazon.com e em Ignatius.com










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