desfaço os sinais dos inventores de mentiras, e enlouqueço os adivinhos

Uma faceta pouco conhecida de Karl Marx: a sua poesia… e o seu diabolismo | 26Dez2018 15:18:30

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Karl Marx, pai do comunismo, nasceu há 200 anos (feitos no passado dia 5 de maio). Entre 1835 e 1843, ou seja, entre os 17 e os 25 anos de idade, escreveu muita poesia lírica e versalhada humorística, o que pode ser bastante surpreendente para aqueles que só conhecem o “Marx maduro” de O Capital, a sua famosa crítica do capitalismo, constituído por centenas de páginas de prosa pesada e bastante enfadonha. A poesia é publicada no primeiro volume das Obras Completas de Karl Marx e Friedrich Engels, publicado pela International Publishers em Nova Iorque.

Por exemplo, há sonetos para Jenny von Westphalen, que viria a casar-se com Marx e a ser mãe de sete filhos, que incluem linhas como:

    Olha! Poderia encher mil volumes,
    Escrevendo apenas “Jenny” em cada linha,
    E mesmo assim elas esconderiam um mundo de pensamento,
    Façanha eterna e imutável,
    Doces versos que ainda anseiam docemente,
    Todo o fulgor e todo o brilho do éter,
    Dor e alegria divina do sofrimento angustiado,
    Toda a vida e todo o meu conhecimento.
    Posso lê-lo nas estrelas lá em cima,
    Do zéfiro volta para mim,
    Do ser do trovão das ondas impetuosas,
    Sinceramente, escreveria como refrão
    Para ser visto nos séculos vindouros —
    Amor é Jenny, Jenny é o nome de amor.  (p. 522)

Poderíamos imaginar, caritativamente, que os versos se leem de forma mais convincente no original alemão. Poderíamos também desejar que Marx se tivesse limitado a escrever “mil volumes” de poesia romântica em vez de O Capital, e que a sua Jenny tivesse ocupado de tal maneira o seu tempo que não tivesse sobrado nada para Engels.

Mas em breve surgiriam sentimentos mais voláteis nos seus versos juvenis, com uma toque luciferiano:

    Estou preso num conflito interminável,
    Agitação e sonhos sem fim;
    Não consigo adaptar-me à vida,
    Não fluirei com a corrente.

    O céu eu abrangeria,
    Atrairia o mundo para mim;
    Amando, odiando, pretendo
    Que a minha estrela brilhe intensamente. […]

    Mundos para sempre eu destruiria,
    Já que nenhum mundo posso criar,
    Já que o meu clamor por eles nunca é ouvido,
    Fluindo mudo num turbilhão de magia. […]

    Assim os espíritos seguem o seu caminho
    Até serem totalmente consumidos,
    Até os seus donos e senhores
    Por eles serem totalmente aniquilados.  (p. 525–26)

Estes versos irradiam a força niilista de alguém que destruiria se não pudesse criar ex nihilo. Se a criação não está à disposição dos homens, o que dizer da manipulação por forças das trevas? Com uma regularidade surpreendente, Marx usa a linguagem da magia e da demonologia. Por exemplo:

    Ha! Em corpo e alma fui atingido
    Até ao fundo da minha alma,
    Como um demónio, quando o grande mago
    Golpeia com relâmpagos e feitiços.  (p. 524)

Ou noutro poema:

    Com palavras e poderes mágicos
    Eu lancei os feitiços que sabia,
    Mas adiante as ondas ainda rugiam,
    Até eles desaparecerem de vista. […]

    O meu ânimo nesse momento
    Levantou-se alegre e jubiloso,
    E, como um feiticeiro,
    O destino deles eu mudei.  (pp. 529–30)

Em todo o seu verso, Marx encontra dezenas de maneiras de retratar o seu protagonista ou ele próprio como envolvido em combate com “os deuses” — com o teísmo, o Cristianismo, a ordem natural. (Talvez não surpreenda que ele concebeu uma tese que resumia e comparava a filosofia da natureza de Demócrito e Epicuro, dois antigos materialistas.) Este é um exemplo particularmente bom:

    Então um deus arrancou tudo de mim
    Na maldição e tormento do destino.
    Todos os seus mundos se foram para lá da lembrança!
    E a mim só me fica a vingança! […]

    Construirei o meu trono muito lá em cima,
    Frio e tremendo será o seu topo.
    Para seu baluarte — o pavor supersticioso,
    Para seu marechal — a mais negra agonia. […]

    E os relâmpagos do Todo-Poderoso ressaltarão
    Desse gigante de ferro maciço.
    Se ele destruir os meus muros e as minhas torres,
    A eternidade erguê-los-á, desafiadora.  (pp. 563-64)

Haverá alguém que leia estas linhas e não se lembre de Lúcifer que diz: Non serviam – “Não servirei!” – e que trabalha incansavelmente ao longo do vasto curso da história mundial para desviar todos os que são suficientemente tolos para servir o não servidor? Haverá alguém que leia estas linhas e não pense no império soviético de Estaline, com os seus milhões de condenados à morte e os seus gulags siberianos, dominando os homens com “um pavor supersticioso” e “a mais negra agonia”? No reino da ficção, estas linhas fazem recordar Mordor, Sauron e Melkor de Tolkien, ou Weston como o “Unman” de Perelandra de Lewis.

Quanto aos poemas iniciais de Marx, o mais desconcertante (pelo menos que eu tenha descoberto até agora) é um intitulado “O Violinista”, escrito em 1837 e publicado em 1841:

    O Violinista toca as cordas,
    O seu cabelo castanho claro meneia e sacode.
        Transporta um sabre ao seu lado,
        Veste um hábito de pregas largas.

    “Violinista, porquê esse som frenético?
    Por que olhas tão loucamente em redor?
        Por que salta o teu sangue como o mar agitado?
        O que impulsiona o teu arco de forma tão desesperada?”

    “Por que é que eu toco? Ou as ondas impetuosas rugem?
    Para que possam bater na costa rochosa,
        Aquele olho seja cego, aquele peito inchado,
        Aquele grito da alma levado para o Inferno."

    “Violinista, com desprezo tu rasgas o teu coração.
    Um Deus radiante emprestou-te a tua arte,
        Para deslumbrar com ondas de melodia,
        Para elevar à dança de estrelas no céu."

    “Como assim! Eu enterro, enterro sem falhar
     O meu sabre negro de sangue na tua alma.
        Essa arte Deus nem quer nem conhece,
        Salta para o cérebro a partir das névoas negras do Inferno.

    “Até o coração ficar enfeitiçado, até os sentidos se transformarem num turbilhão:
    Com Satanás eu estabeleci o meu acordo.
        Ele marca os sinais, dá-me a batida,
        Eu toco, rápido e solto, a marcha da morte.”  (p. 23)

O Violinista é Marx a ver-se ao espelho: o ideólogo supremo do comunismo ateu, que – apesar de apregoar a sua descrença no supernatural ou no espiritual – estabeleceu um acordo com Satanás e dançou ao seu ritmo atonal, à sua batida “tecno”, “uma arte que Deus não quer nem conhece.”

A queda do comunismo soviético e a suavização dos regimes comunistas em todo o mundo não nos deve cegar quanto ao facto de a filosofia marxista estar viva, se não mesmo bem. Vemo-la a persistir mesmo em círculos católicos que tendem para o socialismo, progressismo e revisionismo doutrinário, à Hegel. Vemo-la no Vaticano, com certeza, cuja vontade de estabelecer um acordo com a China comunista é um insulto para Deus Todo-Poderoso e uma amarga traição dos católicos chineses fieis, muito à semelhança do que foi a Ostpolitik de Paulo VI décadas antes.

O espírito da ideologia marxista não será facilmente exorcizado, uma vez que é uma das inúmeras manifestações do espírito de desafio e desespero que, em vão mas energicamente, contesta o Reino de Deus.

November 20, 2018 (LifeSiteNews)

https://www.lifesitenews.com/blogs/a-little-known-side-of-karl-marx-his-poetry-and-his-diabolism



















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