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Larry Summers e o memorando secreto do "Jogo Final" | 14Abr2014 15:41:01

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EUA: Documento confidencial revelado mostra que altos funcionários do Tesouro norte-americano (vindos do setor bancário) conspiraram para eliminar as restrições aos bancos para que estes pudessem negociar em derivados e outros investimentos de alto risco. [Visaram também as leis bancárias de outros países para que todos os bancos do mundo pudessem ser envolvidos no mesmo jogo especulativo. Isto foi a génese da atual crise monetária global.] 

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Quando um passarinho deixou cair o memorando do Jogo Final pela frincha da minha janela, o seu conteúdo era de tal maneira explosivo, tão doentio e tão mau, que eu nem conseguia acreditar.

O memorando confirmou todas as fantasias dos fanáticos por conspirações: que, em finais da década de 1990, os altos funcionários do Tesouro norte-americano conspiraram secretamente com uma pequena cabala de banqueiros importantes para eliminar a regulação financeira em todo o planeta. Quando vemos 26,3% de desemprego em Espanha, desespero e fome na Grécia, tumultos na Indonésia e Detroit na falência, releia este memorando do Jogo Final, a génese do sangue e das lágrimas.

O alto funcionário do Tesouro a jogar o Jogo Final secreto dos banqueiros era Larry Summers. Hoje Summers é a principal escolha de Barack Obama para presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos, o banco central do mundo. Se o memorando confidencial é autêntico, então Summers não devia estar a trabalhar na Fed, devia estar a cumprir uma pena pesada numa masmorra reservada aos criminosos dementes do mundo financeiro.

O memorando é autêntico.

Para obter essa confirmação, eu teria que voar para Genebra e conseguir arranjar uma reunião com o secretário-geral da Organização Mundial do Comércio, Pascal Lamy. Foi o que fiz. Lamy, o Generalíssimo da Globalização, disse-me,

    "A OMC não foi criada como um grupo obscuro de multinacionais a tramarem secretamente conspirações contra as pessoas…. Não temos banqueiros loucos e ricos a fumar charutos e a negociar."

Foi então que lhe mostrei o memorando.

Começa com o lacaio de Summers, Timothy Geithner, a lembrar ao patrão para ligar aos CEO mais poderosos do planeta de então e pedir-lhes para darem ordem de marcha aos seus exércitos de lobistas:

    "À medida que entramos no jogo final das negociações de serviços financeiros da OMC, creio que seria boa ideia que contactasse os CEO…."

Para evitar que Summers tivesse que telefonar para o seu gabinete para obter os números de telefone (que, segundo a lei norte-americana, teriam de aparecer em registos públicos), Geithner enumerou as suas linhas privadas. E aqui estão elas:

    Goldman Sachs: John Corzine (212)902-8281
    Merrill Lynch: David Kamanski (212)449-6868
    Bank of America: David Coulter (415)622-2255
    Citibank: John Reed (212)559-2732
    Chase Manhattan: Walter Shipley (212)270-1380

Lamy tinha razão: não fumam charutos. Avance e telefone-lhes. Telefonei e, como seria de esperar, recebi um olá pessoal e prazenteiro de Reed-prazenteiro até lhe dizer que eu não era Larry Summers. (Nota: Os outros números foram rapidamente desligados. E não é possível contactar Corzine enquanto este estiver a enfrentar acusações criminais.)

Não é a pequena cabala de reuniões privadas de Summers e dos banqueiros bandidos que é tão inquietante. O horror está no objetivo do próprio "jogo final".

Deixem-me explicar:
Corria o ano de 1997. O secretário do Tesouro norte-americano, Robert Rubin, insistia muito na desregulação dos bancos. Isso exigia, em primeiro lugar, a anulação da Lei Glass-Steagall para desmontar a barreira entre os bancos comerciais e os bancos de investimento. Era como substituir cofres bancários por rodas de roleta.

Em segundo lugar, os bancos queriam o direito de jogar um novo jogo de alto risco: "negociação de derivados". Só o JP Morgan em breve apresentaria 88 biliões de dólares destes pseudo-títulos nos seus livros como "ativos".

O secretário-adjunto do Tesouro Summers (que em breve substituiria Rubin como secretário) bloqueou qualquer tentativa de controlar os derivados.

Mas de que serviria transformar os bancos norte-americanos em casinos de derivados se o dinheiro fugisse para outros países com leis bancárias mais seguras?

A resposta concebida pelos Cinco Grandes Bancos: eliminar os controlos sobre os bancos em todos os países do planeta – numa única jogada. Era tão brilhante quanto loucamente perigoso.

Como conseguiriam concretizar este estratagema louco? O jogo dos banqueiros e de Summers consistia em utilizar o Acordo sobre Serviços Financeiros (FSA), uma adenda obscura e favorável aos acordos comerciais internacionais policiados pela Organização Mundial do Comércio.

Até os banqueiros iniciarem a sua jogada, os acordos da OMC tratavam simplesmente do comércio de mercadorias – ou seja, os meus carros pelas tuas bananas. As novas regras fabricadas por Summers e pelos bancos forçariam todos os países a aceitar negociar em "maus" ativos – ativos tóxicos tais como derivados financeiros.

Até à versão revista do FSA pelos banqueiros, cada país controlava e certificava os bancos dentro das suas próprias fronteiras. As novas regras do jogo forçariam todos os países a abrir os seus mercados ao Citibank, JP Morgan e aos seus "produtos” derivados.

E os 156 países da OMC teriam de deitar abaixo as suas próprias divisões Glass-Steagall entre os bancos comerciais de poupança e os bancos de investimento que jogam com derivados.

O trabalho de transformar o FSA no aríete dos banqueiros foi dado a Geithner, que foi nomeado embaixador na Organização Mundial do Comércio.

Os banqueiros enlouquecem

Por que razão concordaria um país em deixar o seu sistema bancário ser acostado e capturado por piratas financeiros como o JP Morgan?

A resposta, no caso do Equador, foram as bananas. O Equador era uma verdadeira república das bananas. O fruto amarelo era a fonte indispensável de moeda forte do país. Se se recusasse a assinar o novo FSA, o Equador podia dar as suas bananas a comer aos macacos e regressar à falência. O Equador assinou.

E assim por diante com todos os países forçados a assinar.

Todos os países menos um, diria eu. O novo presidente do Brasil, Inácio Lula da Silva, recusou. Em retaliação, o Brasil foi ameaçado com um potencial embargo dos seus produtos pelo Comissário da União Europeia responsável pelo Comércio, um tal Peter Mandelson, segundo outro memorando confidencial que me chegou às mãos. Mas a atitude de refusenik de Lula valeu a pena para o Brasil que foi o único entre os países ocidentais a sobreviver e prosperar durante a crise bancária de 2007 a 2009.

A China assinou – mas em troca obteu a sua libra de carne. Abriu ligeiramente o seu setor bancário em troca de acesso e controlo do mercado norte-americano de peças para automóveis e de outros mercados. (Rapidamente, dois milhões de empregos norte-americanos passaram para a China.)

O novo FSA tirou a tampa da caixa de Pandora do comércio mundial de derivados. Entre as infames transações legalizadas: o Goldman Sachs (onde o secretário do Tesouro Rubin tinha sido copresidente) negociou com a Grécia um contrato swap secreto baseado em euro-derivados que, em última análise, destruiu aquele país. O Equador, com o seu próprio setor bancário desregulado e demolido, explodiu em tumultos. A Argentina teve que vender as suas empresas petrolíferas (aos espanhóis) e redes de águas (à Enron) enquanto os seus professores procuravam comida nos caixotes do lixo. Em seguida, os Banqueiros Enlouquecidos na Eurozona mergulharam de cabeça nas piscinas de derivados sem saberem nadar – e agora o continente está a ser vendido aos pedaços pequenos e baratos à Alemanha.

É evidente que não foram só as ameaças que venderam o FSA, a tentação também contou. Afinal, todo o mal começa com uma dentada numa maçã oferecida por uma serpente. A maçã: as pilhas reluzentes de lucro escondido no FSA para as elites locais. O nome da serpente era Larry.

Toda esta maldade e sofrimento decorrem de um único memorando? Claro que não: a maldade era o próprio Jogo, tal como jogado pela clique de banqueiros. O memorando revelou apenas o seu plano de jogo para fazerem xeque-mate.

E o memorando revela imenso sobre Summers e Obama.

Enquanto milhares de milhões de almas arrependidas ainda sofrem com o desastre mundial provocado pelos banqueiros, Rubin e Summers não se saíram nada mal. A desregulação dos bancos de Rubin tinha permitido a criação de uma monstruosidade financeira chamada "Citigroup". Algumas semanas depois de deixar o cargo, Rubin foi nomeado diretor e depois presidente do Citigroup — que foi à falência ao mesmo tempo que conseguia pagar a Rubin um total de 126 milhões de dólares.

Em seguida Rubin assumiu outro cargo: tornou-se num dos principais benfeitores da campanha de um jovem senador estadual, Barack Obama. Poucos dias depois da sua eleição como presidente, Obama, por insistência de Rubin, deu a Summers o cargo bizarro de "Czar da Economia" dos EUA e fez de Geithner a sua Czarina (ou seja, secretário do Tesouro). Em 2010, Summers desistiu das suas vestes régias para regressar à "consultoria" para o Citibank e outras criaturas da desregulação bancária, cujos pagamentos aumentaram o património de Summers em 31 milhões de dólares desde o memorando do "jogo final".

Que Obama venha agora, a pedido de Robert Rubin, escolher Summers para dirigir o Federal Reserve Board significa que, infelizmente, estamos longe do fim do jogo.

* * * * * * * *

Um agradecimento especial ao especialista Mary Bottari da Bankster USA (www.BanksterUSA.org) sem o qual a nossa investigação nem teria começado.

O filme da minha reunião com o chefe Lamy da OMC foi originalmente criado para o programa Ring of Fire, apresentado por Mike Papantonio e Robert F. Kennedy Jr.

Encontra-se uma discussão mais alargada dos documentos que coloquei perante Lamy em "The Generalissimo of Globalization", Capítulo 12 de Vultures' Picnic de Greg Palast.

Greg Palast é também o autor dos bestsellers do New York Times, Billionaires & Ballot Bandits, The Best Democracy Money Can Buy e Armed Madhouse.

AJUDE-NOS A SEGUIR O DINHEIRO. Visite a loja do Palast Investigative Fund ou faça simplesmente uma contribuição dedutível nos impostos para manter o nosso trabalho vivo!

22 Ago 2013, Greg Palast para a Vice Magazine

http://www.gregpalast.com/larry-summers-and-the-secret-end-game-memo/







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