Porto, Portugal: LB (1 ano) e trombocitopenia após vacina | 24Fev2021 16:20:04

Tudo começou quando LB [one year old] ficou constipado, nada de grave e com picos de febre baixos (máx. 39 duas vezes), estando a passar naturalmente com o avançar dos dias e ficando só entupido sem febre ao terceiro dia. Mas no dia 26 a noite começou a ficar muito sonolento, nada normal, cansado e sem forças, achamos que poderia ser do Fenistil (gotas anti histamínicas que damos para ajudar a secar o nariz).
No dia seguinte, 27 de Agosto de 2020, logo depois de ter acordado, bem disposto, LB teve a primeira hemorragia (imagem em anexo), que nos deixou de imediato alertados e fomos até à Casa de Saúde da Boavista para ser visto pelo seu pediatra. Na consulta, o Dr. suspeitou que poderia ser um problema intestinal (o intestino ter-se dobrado sobre si mesmo e provocar a hemorragia) mas também achou LB muito pálido e amarelado e com algumas pepitas (nódoas negras) em locais estranhos (braços, pernas, testa e bochechas) por isso pediu que fizéssemos de de seguida um conjunto de análises ao sangue (ainda na Casa de Saúde através da Unilabs). Assim o fizemos e depois seguimos para a CUF fazer uma ecografia ao intestino concluindo que estava tudo aparentemente normal com o intestino sem mostrar qualquer tipo de infecção ou movimento do órgão.
Fomos para casa (hora do almoço), à espera dos resultados das análises ao sangue realizadas de manhã. Neste mesmo espaço de tempo LB volta a ter uma hemorragia idêntica à da manhã o que nos preocupou muito e que nos levou de urgência para o São João a pedido do pediatra.
Já na urgência do S.João e ainda sem os resultados de sangue, repetimos os mesmos testes pelo público para ficar novo registo. Entretanto chegam os resultados através de uma chamada de um quadro superior da Unilabs que, muito preocupada, referiu entre outros valores que LB estava no momento sem nenhuma plaqueta, que tinham inclusive verificado no microscópio e não viam nenhuma. Além disso, os valores dos glóbulos brancos e vermelhos estavam bastante alterados negativamente. Ficamos mesmo muito assustados pois o cenário indicava de uma forma muito geral uma eventual Leucemia.
A médica de serviço explicou-nos de forma leiga que a medula de LB estava a produzir anticorpos que por sua vez estavam a destruir as plaquetas levando a um estado anémico grave. Para agravar a situação LB teve nesse dia mais uma hemorragia depois do almoço, o que o estava a pôr muito fraco e com os batimentos cardíacos baixos. Nessa tarde levou uma transfusão de plaquetas para ver como o organismo reagia e fez mais exames para despistar doenças graves como a tal suspeita de leucemia. LB estava sempre bem-disposto, interativo embora se visse no olhar e cor dele que estava extremamente abatido, cansado e com poucas forças.
Pouco tempo depois da transfusão de plaquetas foi de novo submetido a um hemograma que provou que as plaquetas que tinha acabado de receber já estavam a ser destruídas pelo seu próprio sistema imunológico, o que mais uma vez, indicava um processo típico de uma leucemia, pois a medula estava a falhar e a fazer o processo contrário. A equipa de médicos começou então junto do laboratório a pesquisa para uma transfusão de sangue o mais compatível possível para não haver risco de rejeição, pois os seus batimentos cardíacos estavam a ceder e o seu estado anêmico era alto.
Nesse fim do dia e depois destas novidades desmotivadoras e genéricas, LB teve uma nova hemorragia e aí fiquei num pranto implorando para que a transfusão acontecesse o mais rápido possível pois estava a perder muito sangue desde a manhã desse dia. Passado pouco tempo e com todos os cuidados, pois não podia bater em lado nenhum para não perder nem mais uma gota de sangue, LB recebeu a transfusão de sangue (por volta das 20h30).
Graças a Deus reagiu bem à transfusão de sangue nas primeiras horas que são cruciais; deu-lhe Vida. Entretanto todas as doenças mais graves iam sendo descartadas e os médicos assumiram que seria uma Púrpura Trombocitopénica Idiopática que se tinha demonstrado de uma forma brutal e muito agressiva, rara na idade de LB e na forma como se apresentou (normalmente estas púrpuras costumam apresentar-se com pequenos derrames de sangue no nariz ou gengivas).
Na manhã seguinte ainda na Urgência (ficamos lá 4 noites pois tinham de estar em constante monitorização e análises ao sangue) LB teve um pico de febre e os médicos acharam que poderia estar a começar uma pneumonia bacteriana (por estar com o sistema imunológico muito fraco) o que não ajudava nada e poderíamos ter de ficar mais tempo na urgência (em condições muito más e desgastadas). Fez de novo uma série de exames e uma ecografia ao baço, mas estava tudo bem. Nesse dia ao fim da tarde fomos para o Joãozinho, ala de internamento do São João.
Nos três dias seguintes, na ala do Joãozinho, tivemos a fazer mais análises e a ver como reagia a transfusão de sangue, que foi muito positiva e as plaquetas começaram aos poucos a serem produzidas e não destruídas.
Tivemos alta dia 5 de Agosto ao fim da manhã com uma proposta de monitorização e tratamento para os tempos seguintes. Muita vigia ao aparecimento de nódoas negras, febre, palidez ou hemorragia.
No relatório médico do São João (em anexo) os médicos indicam que a causa provável tem uma origem secundária no contexto da tal infecção respiratória que tinha acabado de ter, a tal constipação. Mas o nosso pediatra, numa consulta posterior, alertou-nos que eventualmente poderia ter sido uma consequência da Vacina do Sarampo, tomada nos últimos dias de Julho, pois consta na lista das reações raras à mesma.
Notas:
Perturbações do sangue: A trombocitopenia, uma doença sanguínea que resulta em hemorragia espontânea, é uma reacção adversa bem conhecida à vacina contra o sarampo. Já em 1966, os investigadores notaram que 86% dos indivíduos vacinados sofreram uma queda extrema nos níveis de plaquetas necessários para a coagulação do sangue. (148) Durante as décadas de 1970, 1980, 1990 e 2000, onde quer que as campanhas de vacinação contra o sarampo fossem aplicadas, incluindo na Suécia, Canadá, Alemanha, Finlândia, Grã-Bretanha e França, foram comunicados novos casos de trombocitopenia. Em 1994, o Comité de Segurança da Vacina dos EUA reconheceu oficialmente a trombocitopenia como uma reacção adversa à vacina contra o sarampo (155). Os dados subsequentes apoiam esta conclusão. (156-158)
Miller, Neil Z. 2003. Vaccines, Autism and Childhood Disorders – Crucial Data That Could Save Your Child’s Life. New Atlantean Press, Santa Fe, page 75
Referências
148. Oski, Frank A and Naiman, J Lawrence (1966) Effect of Live Measles Vaccine on the Platelet Count. N Engl J Med 1966; 275:352-356 DOI: 10.1056/NEJM196608182750703 https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJM196608182750703
155. Institute of Medicine (US) Vaccine Safety Committee, Stratton KR, Howe CJ, Johnston RB Jr., eds. (1994) Adverse Events Associated with Childhood Vaccines: Evidence Bearing on Causality. Washington (DC): National Academies Press (US) https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25144097/
156. Beeler, Judy M.D.; Varricchio, Frederick M.D.; Wise, Robert M.D., M.P.H. (1966) THROMBOCYTOPENIA AFTER IMMUNIZATION WITH MEASLES VACCINES: REVIEW OF THE VACCINE ADVERSE EVENTS REPORTING SYSTEM (1990 TO 1994), The Pediatric Infectious Disease Journal: January - Volume 15 - Issue 1 - p 88-90 https://journals.lww.com/pidj/Fulltext/1996/01000/THROMBOCYTOPENIA_AFTER_IMMUNIZATION_WITH_MEASLES.20.aspx
157. CDC. (Sep 6, 1996) Update: Vaccine Side Effects, Adverse Reactions, Contraindications, and Precautions Recommendations of the Advisory Committee on Immunization Practices (ACIP). MMWR 45(RR-12);1-35 https://wonder.cdc.gov/wonder/PrevGuid/m0046738/m0046738.asp












